A renúncia do vereador Claudelino Costa (PSB) abriu espaço para uma rápida recomposição na Câmara Municipal de Arcoverde. Com a vacância oficializada, quem assume a cadeira é o primeiro suplente da coligação, Sargento Brito, que retorna ao Legislativo em meio a um cenário de forte tensão política e institucional.
Com 1.367 votos na última eleição, Brito já tem passagem pela Casa e reassume o mandato em um momento considerado decisivo. Nos bastidores, a expectativa gira em torno de como o novo parlamentar irá se posicionar diante das turbulências que marcam o atual contexto administrativo e jurídico.
O anúncio da saída de Claudelino, feito na manhã desta segunda-feira (20), surpreendeu o meio político local. Em sua declaração, o ex-vereador classificou a decisão como estratégica, destacando a necessidade de concentrar esforços na própria defesa. A partir disso, o rito de posse do suplente deve seguir imediatamente os trâmites regimentais conduzidos pela Mesa Diretora.
A renúncia ocorre em meio a um processo político-administrativo que investigava acusações de peculato. De acordo com a denúncia, o ex-parlamentar teria oferecido vantagens indevidas, incluindo a suposta oferta de cargos ao empresário Micael Lopes. O caso vinha avançando dentro da Câmara, especialmente após decisão da 2ª Vara Cível que determinou o prosseguimento das investigações.
Na decisão, o juiz João Eduardo Ventura Bernardo reforçou a independência entre as esferas judicial e política, negando pedidos de suspensão do processo. Com a renúncia, o rito de cassação perde efeito imediato no Legislativo, embora o ex-vereador sustente publicamente que pretende comprovar sua inocência na Justiça.
A chegada de Sargento Brito se dá em um ambiente de ânimos acirrados. Além da mudança na composição das bancadas, a Câmara enfrenta outros pontos de pressão. O presidente da Casa, Luciano Pacheco, também está no centro de questionamentos relacionados ao exercício da advocacia durante o mandato e tem prometido divulgar relatórios financeiros de gestões anteriores — material que ele classifica como a “caixa-preta” do Legislativo.
Diante desse cenário, a recomposição da Câmara não apenas redefine forças políticas, mas também amplia a expectativa por novos desdobramentos em uma crise que ainda está longe de um desfecho.

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