Com potencial eleitoral estimado em mais de 200 mil votos para deputado federal, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado movimentou o cenário político pernambucano antes de oficializar sua filiação ao Podemos, legenda que integra a base da governadora Raquel Lyra. Antes da decisão, o nome do ex-ministro foi disputado por diferentes partidos.
Gilson, que costuma se apresentar como um dos principais aliados de Jair Bolsonaro em Pernambuco, mantém relação conturbada com o presidente estadual do Partido Liberal (PL), Anderson Ferreira. O distanciamento entre os dois ficou evidente em agendas anteriores de Bolsonaro no estado. No último fim de semana, em entrevista ao blog Waldiney Passos, Anderson classificou o ex-ministro como “desertor e traidor de Flávio Bolsonaro”.
Durante a declaração, Anderson também criticou a desistência de Gilson da disputa ao Senado e afirmou que o Podemos integra a base do governo Lula, sugerindo que a mudança partidária poderia favorecer candidatos de esquerda. A fala ocorreu durante ato de filiação de jornalistas em Petrolina ao PL.
Procurado, Gilson evitou o confronto direto. Disse que não pretende “polarizar” e afirmou não precisar comprovar lealdade a Bolsonaro. Segundo ele, a melhor resposta está nas manifestações públicas de apoiadores.
Em comentário na mesma publicação, o vereador do Recife Gilson Filho, filho do ex-ministro, afirmou que a candidatura ao Senado teria sido sugerida pelo próprio Bolsonaro, mas que o diretório estadual do PL não teria seguido essa orientação. Segundo ele, a decisão de migrar de partido ocorreu em entendimento com Flávio Bolsonaro, com o objetivo de fortalecer o apoio no estado. Também criticou a condução do PL em Pernambuco.
O episódio amplia a tensão interna entre lideranças ligadas ao campo bolsonarista no estado e expõe divergências sobre estratégias para as próximas eleições.

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