A decisão do juiz João Eduardo Ventura Bernardo reacende um debate que vinha sendo empurrado para debaixo do tapete em Arcoverde. Ao conceder prazo de dez dias para que a Câmara de Vereadores explique a suspensão do processo de cassação contra o vereador Claudelino Costa, a Justiça joga luz sobre um caso que levanta dúvidas sobre transparência e responsabilidade pública.
A notificação foi recebida pelo presidente da Casa, Luciano Pacheco, que agora terá de prestar esclarecimentos formais. A interrupção do processo, ocorrida no fim do ano passado, volta ao centro das atenções sob a suspeita de ter servido mais a interesses políticos do que ao cumprimento do dever institucional.
A defesa do empresário Micael Lopes sustenta que a paralisação não foi casual, mas estratégica: uma tentativa de esfriar o caso e criar um ambiente favorável à absolvição do parlamentar, que ocupa posição de destaque na Mesa Diretora. A acusação reforça a percepção de que, em vez de apurar os fatos com rigor, houve movimentações para proteger aliados.
Além de cobrar explicações sobre a suspensão, o magistrado também exige detalhes sobre os trâmites do processo, o que aumenta a expectativa por respostas concretas. Para o empresário, a atitude da Câmara evidencia um comportamento corporativista, que teria levado o caso à Justiça como única alternativa diante da falta de avanço interno.
As declarações são duras e apontam para um cenário de desconfiança: segundo ele, houve articulações políticas dentro da Casa que agora não encontram espaço no Judiciário. O episódio coloca em xeque a credibilidade do Legislativo municipal e abre um novo capítulo, em que a sociedade aguarda não apenas justificativas, mas sinais claros de compromisso com a ética e a transparência.

0 Comentários